quinta-feira, 20 de dezembro de 2012

Quando o Simples não é bom negócio


O site de VEJA lista as situações em que a adesão ao regime unificado de arrecadação de impostos pode não ser a melhor opção para as PMEs

Raquel Grisotto
Homem de negócios preocupado
Empreendedores têm considerar inúmeras variáveis antes de optar por um regime tributário (ThinkStock)
Com taxas reduzidas e um sistema de cobrança unificado, o Simples Nacional traz grandes benefícios ao micro e pequeno empreendedor. Ele permite economia no pagamento de tributos e facilita a vida administrativa ao reunir uma série de impostos – seis federais, um estadual e um municipal – numa única alíquota, que é calculada conforme o faturamento (veja quadro detalhado).
Adotado pela maioria das micro e pequenas empresas brasileiras, o Simples, no entanto, nem sempre é uma boa opção. “Há casos em que a adesão ao regime pode não compensar”, diz Márcio Iavelberg, sócio da Blue Numbers, consultoria de gestão financeira especializada em negócios de pequeno e médio porte. “É preciso considerar muitos pontos antes de escolher o melhor sistema de declaração”, alerta.
As incertezas do empreendedor costumam aparecer quando a receita se aproxima dos 3,6 milhões de reais ao ano – o limite máximo para enquadramento no Simples. Isso porque as alíquotas são progressivas, o que significa que, quanto maior o faturamento, menos atrativas ficam suas vantagens. “Alguns donos de pequenas empresas têm medo de crescer e não suportar os encargos”, afirma João Eloi Olenike, presidente do Instituto Brasileiro de Planejamento Tributário (IBPT).  “Mas tem gente pagando mais imposto pela facilidade de administrar o Simples”, admite.
De acordo com os especialistas, são quatro as principais situações em que o regime simplificado pode não ser um bom negócio para as empresas de menor porte: quando a margem de lucro do negócio é reduzida, nas situações em que pode não ser interessante abrir mão de outros benefícios ou isenções fiscais, quando o empreendedor almeja conquistar grandes clientes e num cenário em que o negócio avança de forma acelerada (confira lista explicativa).
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Crescimento acelerado

Para que uma empresa possa se enquadrar no Simples, seu faturamento anual deve ficar abaixo de 3,6 milhões de reais – por isso, a opção por outro regime tem de estar no horizonte de todos os empreendedores. “Deixar de crescer para não perder os benefícios do sistema unificado é uma enorme bobagem”, diz o consultor Beltrame, da DataCustos. De acordo com os especialistas, se o pequeno empresário consegue aproveitar as oportunidades da expansão e, ao mesmo tempo, opta pelo sistema mais adequado ao perfil do negócio – pagamento por lucro real ou presumido -, em pouco tempo, irá compensar os custos maiores com impostos. “Infelizmente, administrar a pesada carga tributária faz parte do jogo”, conclui o advogado Silva, do Miguel Silva & Yamashita. “O bom gestor não pode recuar diante da perspectiva de crescer.”

O empresário Paulo César Alckmin, fundador do site Clube da Permuta
Paulo Alckimin, do Clube de Permuta: "Quero crescer sem freios"
O administrador mineiro Paulo César Alckimim de Oliveira, de 37 anos, é um caso de empreendedor que decidiu por outra forma de regime tributário mesmo podendo aderir ao Simples. “Além do total de impostos a ser pago, considerei também a realidade do meu negócio”, diz. Ele é um dos sócios do Clube de Permuta, um site que reúne empresas interessadas em parceiros comerciais para trocar produtos e serviços. As perspectivas de crescimento do Clube da Permuta são grandes. Fundada há três meses, a empresa tem faturamento previsto de 500 000 reais até o final do ano. “Conquistamos muitos clientes e as transações estão aumentando a cada dia”, diz Oliveira. “Pelas projeções, vamos ultrapassar o limite do Simples em pouco tempo. Por isso, achei melhor estruturar a empresa para crescer sem freios desde já.”

Entenda o regime simplificado para micro e pequena empresa

Logo do SIMPLES
O Simples Nacional é um regime unificado de cobrança e arrecadação de tributos (IR, contribuição social e previdenciária, PIS/PASEP, COFINS, IPI, ICMS e ISS)

O regime simplificado das micro e pequenas empresas tem limites para adesão e alíquotas de imposto diferenciados. Confira as condições.
Microempresa
Faturamento: até 360 000 reais ao ano
Alíquota: de 4% a 8,21%*
Pequena Empresa
Faturamento: de 360 000 reais a 3,6 milhões de reais ao ano
Alíquota: de 6,84% a 17,42%*
*porcentuais variam conforme a receita e a atividade do negócio
Fonte: http://veja.abril.com.br/noticia/economia/quando-o-simples-nao-e-bom-negocio#Simples Nacional

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