sexta-feira, 15 de junho de 2012

Balanço da Fiat vem com ressalvas segundo relatório de Auditoria

A única montadora entre as quatro maiores - e mais antigas - do setor que publica os números no Brasil, a italiana Fiat recebeu quatro ressalvas do auditor independente, a Deloitte, nas demonstrações contábeis de 2011.

Uma ressalva ocorre quando há discordância entre a administração e o auditor com relação ao conteúdo ou à forma de apresentação da demonstração.

De modo geral, as divergências do auditor com a Fiat estão relacionadas à adoção das normas internacionais de contabilidade (IFRS, na sigla em inglês), que entraram em vigor no país a partir de 2010.

Na União Europeia, o IFRS é o padrão desde 2005.

Uma das discordâncias está no cálculo do patrimônio líquido da empresa - o que sobraria para os acionistas se todos os ativos fossem liquidados para pagar os passivos. Pelas contas da empresa, o patrimônio era de R$ 1,93 bilhão no fim de dezembro. Para o auditor, no entanto, o número está subavaliado em R$ 649,2 milhões.

Na prática, significa por exemplo que a rentabilidade patrimonial, um indicador que mede como a empresa remunera o capital do acionista, cai de 72% na versão da empresa para 54% com o ajuste do auditor.

De qualquer modo, seria uma rentabilidade incrivelmente alta. PSA Peugeot Citroën e Renault, as outras duas montadoras que divulgaram balanço no Brasil em 2011, tiveram rentabilidades de 16% e 11%, respectivamente.

O que a Deloitte contesta é o fato de a Fiat ter lançado certos gastos com desenvolvimento de produtos direto na conta de resultados, e não como ativos intangíveis, como mandam as normas contábeis.

A empresa seguiu as regras da Receita Federal, apesar de estar em vigor o chamado Regime Tributário de Transição, que permite a elaboração de uma demonstração pelas normas contábeis e outra para fins tributários.

Em resposta enviada ao Valor, a Fiat argumenta que face às incertezas sobre a interpretação do Regime Tributário de Transição, "adotou posição conservadora e avaliou com cautela o ambiente legislativo, optando por manter o critério adotado e promover a alteração somente após a regulamentação, o que veio a ocorrer no ano de 2012". Segundo a nota, "no exercício de 2012 haverá alteração, sem efeitos significativos".

A Deloitte informou que, por questão de sigilo profissional, não comenta assuntos relacionados a clientes.

Uma das quatro maiores firmas de contabilidade do mundo, a Deloitte também auditou o balanço da Renault, sem ressalvas.

O relatório de auditoria da Fiat foi assinado em 26 de fevereiro e as demonstrações contábeis foram publicadas um mês depois, em 31 de março, um sábado.

Já o parecer da Renault foi assinado em 23 de fevereiro, e o balanço foi publicado em 30 de março.

A Fiat Automóveis e a Renault do Brasil foram constituídas no país como sociedade por ações de capital fechado, o que as obriga a publicar demonstrações contábeis anuais.

O governo de Minas Gerais foi sócio da Fiat Automóveis no início da operação, mas já saiu da companhia. O Fundo de Desenvolvimento Econômico do Paraná tem 0,15% do capital total da montadora francesa.

O balanço do grupo francês PSA Peugeot Citroën foi auditado pela Ernst & Young Terco, outra das quatro grandes, com parecer datado em 17 de janeiro. As demonstrações só foram publicadas no dia 6 da semana passada.

Com a exceção do grupo PSA Peugeot Citroën, as outras montadoras do país não divulgam seus números porque são sociedades limitadas.

A lei de 2007 que instituiu as normas internacionais de contabilidade no Brasil tentou eliminar essa disparidade fazendo com que empresas de grande porte, independentemente de forma jurídica, fossem obrigadas publicar seus balanços.

O texto, no entanto, deixa dúvidas sobre a necessidade ou não da divulgação, porque só diz que os balanços têm que ser auditados. (NN e MO)

Fonte: http://www.cfc.org.br/conteudo.aspx?codMenu=67&codConteudo=6500

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